Sempre na minha vida tentei ser amigável e cordata com pessoas que sequer me olhavam com bons olhos. Por que? Por causa de outras pessoas que me olhavam com bons olhos e me pediam que eu fosse um pouco mais tolerante, a fim de não causar rompimentos ou desconfortos em certos lugares. Mas mesmo fazendo o possível para não atrapalhar e até mesmo para ajudar, jamais consegui que essas pessoas difíceis tivessem sequer respeito por mim.
Foram anos e anos de abusos verbais, fofocas, agressões passivas, piadinhas, exclusões, ironias e até mesmo trabalhinhos feitos no éter a fim de me prejudicar (fiquei sabendo de alguns, não apenas através da minha intuição, mas através de uma pessoa que consultei há alguns anos - uma bruxa de verdade. Ela colocou todas as cartas na mesa para mim, disse que ia me ajudar a desmanchar aquelas coisas (e realmente ajudou) e nunca me cobrou um centavo. Também me explicou que eram coisas antigas feitas por pessoa que não gostava de mim e que não aprovava o fato de eu e meu marido estarmos juntos.
Mas porque a gente foi trouxa a vida toda, não significa que teremos que continuar sendo, certo?
Cortei. Simplesmente não perdoo mais. Não finjo mais que não entendi, que está tudo bem, que compreendo que se ela faz isso é porque tem "problemas pessoais" (eu também tenho e não faço isso com os outros). Não vou mais me dobrar para não estragar a festa alheia, porque até agora, enquanto eu estava sendo desrespeitada, nenhuma daquelas pessoas me defendeu ou tentou colocar razão na cabeça dela. Só ignoraram tudo, fizeram cara de paisagem e até mesmo a ajudaram em algumas ocasiões.
Mas a última vez foi realmente assustadora, pois a agressão ocorreu sem que eu tivesse dito ou feito qualquer coisa, a não ser dar um "bom dia." E aconteceu no meu território, de repente, em frente à minha própria casa. Na hora, fiquei tão estarrecida (e mais uma vez, não quis estragar a festa alheia) que nem soube o que responder, então mais uma vez eu não disse nada. E durante a festa ou depois dela, ninguém me defendeu, ninguém chamou a atenção dela, e até disseram que não tinham visto nada.
Cheguei em casa com um enorme desconforto dentro do mim, uma azia, uma sensação de que eu precisava dar um basta naquilo, e dei. A presença dela ainda me é empurrada pelas circunstâncias, mas o acesso dela a mim está definitivamente bloqueado. Ela ainda fingiu que me pedia desculpas, mas todo mundo sabe que na verdade ela só estava tentando reestabelecer o contato a fim de continuar os abusos, mas ninguém falou nada - só demonstraram raiva de mim ou decepção quando não aceitei as desculpas dela. E nem vou aceitar. Aturar, só quando for estritamente necessário, mas dar acesso, nunca mais.
E quem quer que seja que pense que eu tenho que perdoar, que vá para os quintos dos infernos.
Senti um alívio enorme quando olhei na cara dela, retirando minhas mãos que ela tentou segurar, e dizendo na cara dela ao ouvir as "desculpas esfarrapadas" (é a idade, nem lembro direito) e disse: "Não se preocupe, estou acostumada a isso." E depois mudei de assunto, tirando dela o protagonismo e o papel de boazinha. Ela sabe que eu não perdoei, e eu sei que ela na verdade jamais pediu perdão sinceramente.
Agora chega de máscaras. Eu mudei. Mesmo tendo sido uma idiota a vida toda, chegou a hora de me defender, de falar por mim mesma, de erguer a cabeça e não aceitar abusos.
Ao perguntar ao tarô sobre a minha atitude, ele apenas confirmou que eu agi certo.
Pronto.

